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Feliz aniversário Kurt
Hoje o líder do Nirvana faria 43 anos. Muitos fãs ficam tristes, acendem velas, fazem tributos e repetem exaustivamente frases como: ”Aquilo que era música… essas porcarias de hoje não valem nada!” Eu estava lá quando o Nirvana levou o underground ao mainstream e lembro de ouvir a mesma frase de inúmeras pessoas, mas elas se referiam a bandas como o Pink Floyd e detestavam Nirvana.
Musicalmente eu nunca fui muito afim da banda, até gostava de umas musiquinhas, mas o que realmente me chamava a atenção era a maneira como Kurt lidava com a fama. Depois do Nervermind ele poderia gravar com qualquer produtor no mundo, mas escolheu Steve Albini, um produtor que só interessava a quem gostava de música alternativa. E ele fazia pra provocar, pra encher o saco, pra dizer: “estou pouco me fudendo pra sua gravadora de merda, enfia ela inteira no seu rabo”
Claro que muitas vezes, pela pouca idade, eu não entendia muito o que ele queria dizer. Como na sua passagem pelo Brasil em que transformou o seu show, esperadíssimo por milhares de adolescentes, em uma peça teatral surreal e masoquista. Fiquei puta! Foi um sacrifício para o meu pai deixar eu ficar acordada até tão tarde e aquele loirinho viado não conseguiu cantar uma única música certa! Mal sabia eu, que o que ele queria dizer era “eu sou um punk, não preciso de limosines nem de camarins com 600 toalhas brancas. Não sou um macaquinho adestrado.”
E um dia, um tempo depois de um carnaval em que o disco mais tocado no buteco foi o Unplugged da MTV, eu cheguei em casa cansada do colégio e o jornal do almoço noticia a morte do cantor. Depois teve um especial durante a tarde na MTV, o Unplugged foi reprisado, junto com todos os clipes e entrevistas, no Jornal Nacional passou parte do show de São Paulo. O caderno Fun da Gazeta do Povo dedicou todas as suas páginas para homenageá-lo, lembrando sua curta e problemática carreira. Eu fiquei um pouco triste, mas tinha prova de matemática no dia seguinte, então, sabe como é…
E, depois de muito tempo, me peguei pensando nele e suas atitudes. Fiquei tentando entender se ele havia me influenciado de alguma maneira, já que como disse, não sou muito fã de suas músicas, e lembrei que sim. Esse cara realmente mudou algo em mim, muito mais profundo do que eu imaginava, de certa maneira, Kurt ajudou a constuir em mim o que considero integridade, continuar insistindo no que acho certo, mesmo que muitas, mas muitas pessoas, achem o contrário.
Então a isso Kurt, a sua integridade, artistica e intelectual, brindamos hoje ao seu nascimento.
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